O tabu que rodeia a saúde da mulher
- jerusadrummondbran
- 6 de set. de 2022
- 2 min de leitura
Atualizado: 8 de ago. de 2024
A saúde da mulher ainda é tabu e se trata de um assunto bem delicado. O médico responsável pelo cuidado feminino é o ginecologista, em uma consulta ele vai olhar e tocar seu corpo, para garantir se está tudo certo.
Em planos particulares, a mulher tem a possibilidade de escolher seu médico e pode optar por um homem ou mulher, com quem vá se sentir mais confortável. No Sistema Único de Saúde, o SUS, nem sempre é dada essa opção, o que pode vir a ser um motivo para elas deixarem de se cuidar.
“Meu esposo me proíbe de ir ao médico”.

A violência doméstica vai muito além da física, ela entra em um âmbito psicológico, onde o marido possui o poder de mandar na mulher, a coloca como sua propriedade, e ela fica refém dele. Quando se diz que o Brasil é um país machista, não diz respeito apenas à desigualdade de gênero, são homens que não aceitam que suas esposas tenham contato com outro homem, mesmo ele sendo um médico.
Esse cenário parece um absurdo, mas é uma realidade. Maridos que obrigam suas mulheres a terem relação sexual sem preservativo, que controlam o uso de seus medicamentos, seja um anticoncepcional ou um DIU. É enorme número de mulheres que confiam em seus parceiros, fazem sexo sem proteção, e acabam com uma doença sexualmente transmissível porque o companheiro não é fiel.
Até pouco tempo atrás, os planos de saúde exigiam que a mulher tivesse a permissão do marido para colocar o DIU, alegando que se a situação for irreversível repercute no planejamento familiar.
A exigência que não dispõe de amparo legal chegou a ser alvo de contestação por uma senadora. Uma voz feminina no senado que trouxe visibilidade a uma causa que apenas mulheres entendem. Métodos contraceptivos estão relacionados à saúde, é a liberdade que ela tem sobre seu corpo, de saber se está preparada ou não para gerar uma vida. Gravidez depois de uma certa idade se torna algo perigoso, pode colocar sua vida em risco.
A questão da promoção à saúde da mulher vai além da sexual e reprodutiva ou de um diagnóstico de câncer na mama. Ela chega às agressões físicas, as mulheres têm medo de ir ao médico serem examinadas depois de sofrerem ataques de seus parceiros, seja pelo medo do companheiro, o arrimo de família, ser preso e ela não ter condições de se sustentar e ao filho, ou pelo julgamento da sociedade.
Mulheres têm vergonha de pedir por socorro com medo do que o médico possa dizer. “O que você fez para ele te bater”?
Vale lembrar que muitas delas vem de origem humilde, não tiveram acesso a uma boa educação e sabem pouco sobre seus corpos e direitos. Até as mais ricas, crescidas em uma família machista, não sabem. É um sistema educacional que não ensina sobre educação sexual, que não explica o que são relacionamentos abusivos, isso precisa ser falado. A falta de incentivo em falar da própria intimidade, junto a ocultação de informações é prejudicial.
Chega disso! Até quando os homens vão ter direitos sobre os nossos corpos? Mulheres precisam ser acolhidas e não julgadas.
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