O desafio do desemprego pós licença maternidade
- jerusadrummondbran
- 26 de set. de 2022
- 2 min de leitura
Atualizado: 8 de ago. de 2024
Quando uma funcionária engravida, o primeiro pensamento do patrão é a perda que ele terá no futuro, seja pela mãe que precisará levar o filho ao médico, ir a reunião da escola, até o atraso da babá.
Graças a mudanças na constituição e nos direitos das mulheres, elas passaram a ter o respaldo da lei, não podem ser demitidas grávidas e no período imediato após a volta da licença maternidade. Em contrapartida, nada assegura que depois do intervalo de estabilidade provisória ela não vá ser demitida “sem motivos”, ou por “corte de funcionários”. A licença maternidade protege, mas não impede a demissão.
A mãe depois de ter o filho tem o direito a quatro meses, depende da empresa até seis, para ficar de licença maternidade. Esse momento é fundamental para mãe e filho se conectarem, é a hora da amamentação e do conhecimento. Mães que acompanham os filhos de perto são capazes de perceber cada detalhe de seu desenvolvimento e relatar ao seu médico. A licença-maternidade também é muito importante para a saúde física e mental da mulher.

Eis que esse período acaba, a mãe precisa se acostumar à falta do filho, introduzi-lo na creche, mudar sua rotina e hábitos para retornar ao trabalho. Ela retoma suas atividades e o filho se acostuma na creche. Com tudo voltando ao normal vem a notícia: a mãe é demitida. Nada disso é coincidência, metade das mulheres são demitidas na volta da licença maternidade. Existe um grande machismo por trás da demissão de mães no Brasil.
Mulheres são capazes de fazer várias coisas ao mesmo tempo. Trabalhar o dia inteiro fora, chegar em casa, organizar o lugar, fazer janta e dever com o filho. Apesar disso, o mercado de trabalho a enxerga como um fardo.
Vale lembrar que filho não é responsabilidade apenas da mãe, ela não o fez sozinha, o pai também tem suas obrigações. A Rede de apoio está aí para ajudar a mãe. Se ela precisa viajar a trabalho, o pai ou os avós podem ficar com a criança. As empresas devem entender que a mulher pode exercer o papel de mãe e de uma excelente profissional.
A sociedade tem criado uma geração de mulheres que não querem ser mães, e um dos principais motivos para isso, é que elas desejam conquistar independência financeira e serem excelentes profissionais. Pasmem, é possível ser os dois.
Jerusa Drummond é Procuradora do Estado, fundadora do projeto Chore em Movimento, comentarista jurídica, e tem três filhos.
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