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Dia Internacional Contra o Tráfico de Mulheres e Crianças

Atualizado: 8 de ago. de 2024

Não é surpresa para ninguém, que desde o início dos tempos, o Brasil é um país que pratica o tráfico de pessoas. A herança deixada pela escravidão, se desenvolveu, e hoje é representada por uma rede internacional de exploração sexual de meninas, mulheres e transexuais.


23 de setembro é marcado como o Dia Internacional Contra a Exploração Sexual e o Tráfico de Mulheres e Crianças. Definido como o recrutamento, transporte, transferência, alojamento ou o acolhimento de pessoas, por ameaça ou uso da força, coerção, abdução, fraude, engano, abuso de poder ou de vulnerabilidade, ou pagamentos, ou benefícios em troca do controle da vida da vítima, é um problema mundial.


Em 2019, o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (UNODC), divulgou que em 2016, 25 mil pessoas foram traficadas no mundo, sendo a maioria, mulheres e crianças. Em relação à exploração infantil, 67,7% das crianças e jovens que sofrem abuso e exploração sexual são meninas.


São cerca de 2,5 milhões de vítimas, movimentando, aproximadamente, 32 bilhões de dólares por ano. O público feminino representa entre 55 e 60% das vítimas em situações de exploração sexual, prostituição, tráfico de órgãos, trabalhos escravos, entre outras hipóteses.


A alta lucratividade do tráfico faz com que raramente vejamos pessoas de fato presas pelo crime, ou exposição na mídia, pois a organização trabalha com chantagens e subornos. O esquema de corrupção envolve policiais, juízes, funcionários responsáveis pela emissão de documentos, etc, o que atrapalha as investigações e prisão dos envolvidos.



Geralmente essa rede de tráfico, procura países onde a pobreza e vulnerabilidade fazem parte do perfil das pessoas, o que torna um ambiente propício ao crime. No Brasil, a maioria das vítimas são de estados como Goiás, Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo.


Os principais cabeças nesse sistema, são os traficantes, que em busca de lucros milionários, promovem sequestros e falsas promessas a mulheres e crianças, os empregadores, que tiram proveito da mão de obra delas, e claro, os consumidores, afinal, só existe tráfico, porque existe demanda.


A principal causa do tráfico é a exploração sexual. Nosso país é conhecido internacionalmente por “turismo sexual”. O clima tropical, as praias, e mulheres de biquíni, levantam uma conotação explicita à prostituição forçada advinda do tráfico de mulheres, crianças e adolescentes. A maioria das aliciadas são mulheres negras, de periferia e baixa escolaridade. Com a promessa de ganhar dinheiro fora do país, elas embarcam em busca de uma vida melhor para ela e a família, porém, no destino, não é isso que encontram.


Fora do país elas perdem contato com o Brasil, precisam trabalhar forçadas, e o dinheiro que ganham precisam passar metade para o bordel em que trabalham e a outra para o traficante que a levou. A dívida nunca é sanada, e elas não podem pedir por socorro, pois, os criminosos ameaçam a sua família.


A prostituição é uma das principais metas dos traficantes, mas o trabalho forçado de crianças e mulheres, exploração sexual e venda de órgãos também é uma realidade.


Entre o tráfico de crianças, cresce a prática de venda para famílias estrangeiras, o crime fere o artigo 239 do Estatuto da Criança e do Adolescente, onde diz que o envio de crianças ou adolescentes para o exterior com objetivo de lucro, ou mediante fraude. Mulheres pobres, vítimas de estupro, e até moradoras de rua, muitas vezes não querem o filho, e acabam entregando ao tráfico. Existem também as que têm suas crianças levadas.


Em 2012, a novela Salve Jorge, de Glória Perez, denunciou essa realidade. Morena, a protagonista, era moradora do Complexo do Alemão e passava por dificuldades financeiras. Ao receber a proposta de emprego, aceitou de primeira, deixando para trás a mãe e o filho. O enredo foi bem interessante, porque mostrou como a vulnerabilidade e a falta de informações sobre o crime faz crescer o número de vítimas.


E como combater o Tráfico de mulheres e crianças?


Precisa partir do governo, por intermédio do Ministério da Justiça, medidas de maior fiscalização e leis mais rígidas para o tráfico humano. Além disso, é necessário, informação, as pessoas precisam saber que esse crime existe para assim se protegerem. Através dos meios de comunicação, dentro das escolas, e principalmente dentro das comunidades, onde se vê o maior número de vítimas, o governo deve gerar campanhas informativas.


Para denunciar casos de tráfico de pessoas, contrabando de migrantes, tráfico de mulheres e outros crimes semelhantes às autoridades brasileiras, disque 100 ou ligue para o número 180.


 
 
 

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Jerusa Drummond Brandão | Vereadora por BH | 23.888

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