A luta da enfermagem por amor
- jerusadrummondbran
- 9 de set. de 2022
- 2 min de leitura
Atualizado: 8 de ago. de 2024
Há pouco mais de um mês, a categoria da enfermagem comemorava a conquista histórica do piso salarial nacional. A lei estabeleceu remuneração de 4.750 para os enfermeiros, 70% para os técnicos e 50% para os auxiliares.
A classe trabalhadora que atua incansavelmente em turnos exaustivos para acolher os pacientes finalmente seriam remunerados à altura. Os profissionais que atuaram na linha de frente da maior pandemia que já se viu nos últimos tempos, que arriscaram suas vidas, deixaram de estar próximos a seus familiares, em um trabalho heroico, seriam finalmente prestigiados.
Os verbos no passado foram usados pelo simples fato de que nos últimos dias a notícia da suspensão do piso salarial tem sido noticiada em alta escala. A decisão levantou repúdio em muitas pessoas, sendo elas da área da saúde ou não, afinal todos que dependem desse serviço, sabem o quão importante é o trabalho que esses exercem.
“Enfermagem por amor”, a frase muito utilizada pelos funcionários da área nunca fez tanto sentido. Um mês atrás eles estampavam sorrisos ao ter aprovado o tão sonhado salário da categoria, e hoje, lamentam a suspensão e seguem trabalhando, apenas por amor à profissão.

O ministro Roberto Barroso atendeu a pedidos de entidades ligadas ao setor que questionaram a ausência de recursos para os novos salários e risco de demissões em massa.
A enfermagem é a profissão que cuida da população desde o momento em que alguém nasce, até o último suspiro de vida. No momento em que o país mais está dividido e polarizado, o consenso do piso salarial, foi um projeto em comum no congresso, e mesmo assim, foi vetado.
Os trabalhadores da saúde merecem mais respeito. 85% da força de trabalho da enfermagem são mulheres. Cada plantão para elas é um desafio, tanto profissional, quanto pessoal. A categoria sofre muito assédio, principalmente, dos pacientes e acompanhantes.
A erotização da enfermagem é um estímulo a violência sexual com as profissionais da área. No ano passado, a atriz Bruna Marquezine chegou a ser notificada pelo Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), por utilizar uma fantasia sexual de enfermeira. Esse tipo de conotação sexual é inadmissível em um país machista como o Brasil, o que pode parecer inofensivo, na cabeça dos homens é o suficiente para assediar enfermeiras em seus locais de trabalho.
Segundo pesquisas, 15,8% dos profissionais de saúde sofrem com perturbação do sono, 13,6% relatam irritabilidade e choro frequente, 11,7% se diz incapaz de relaxar e com sensação de estresse, 9,2% está com dificuldade de concentração ou pensamento lento, 9,1% tem perda de satisfação na carreira ou na vida, 8,3% está com sensação negativa do futuro e pensamento negativo ou suicida e 8,1% enfrenta alteração no apetite e alteração de peso.
Hospitais e clínicas expõem médicas, enfermeiras, técnicas de enfermagem e outras profissionais a homens abusadores. Enquanto a cultura e a educação não mudam, é necessário reforço para a segurança delas, para que possam cuidar com tranquilidade, zelo e atenção dos seus pacientes.
Elas merecem respeito, proteção e salário justo.
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